quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

* destino *

menino correu ligeiro
pés de vento
rolou no túnel do tempo

ontem era príncipe
hoje plebeu
amanhã será
médico professor ou poeta
contanto que não seja ateu
Meu pai do céu, isso não !

Será pai de outro menino
será cantor ou artista
quem sabe será
engenheiro ou pugilista ?
Hoje, brinca feliz e arteiro
amanhã, virá o sal do limoeiro


Úrsula Avner

* imagem do google sem informação de autoria



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

* A lua da menina





menina sonhou

que morava na lua

coberta de luz ficou

era alva a face sua


estrelas despencavam

nas mãos da menina

purpurinas brilhavam

azul, amarelo, bonina


cores mil se entrelaçavam

naquele sonho colorido

cores mil adornavam

seu delicado vestido



Úrsula Avner



* imagem disponível no google


sábado, 5 de dezembro de 2009

Na chácara do (xi) ch

choveu
na chácara do vovo
chuva fina molhou
o pé de rosa chá
céu chorou chorou

na horta nasceu
batata e chuchu

no xaxim da vovó
cresce alegre a samambaia
vento revolve no chão o pó
levanta da vovó a saia

o pé do pato é chato
tem cheiro de chulé
o chicote do peão é bravo
corta o lombo do cavalo


a cobra escondida no atalho
é esperta e tem chocalho
barulho na mata faz medo
assusta o cão Alfredo

na bonita chávena
o chá de rosas
esfria

sono chega
é hora da fantasia
cheiro de ventre maresia
mamãe depressa chama
é hora de ir para a cama

galinha chocadeira
correu para o puleiro
se ajeitou como pôde
dorme sem travesseiro

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

* imagem do google

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

* (Passa)gem *


passa vento
passatempo
chuva tórrida passa
deixa lamento
ferro quente passa
o terno de linho
menina esperta passa
a mão no (passa)rinho
o amor não passa sozinho
passa a banda
na avenida
ligeiro passa
o tempo
aposta corrida
com o vento
Úrsula Avner
* poema com registro de autoria
* imagem do google

terça-feira, 24 de novembro de 2009

* a solidão da folha *




folha triste

sombria

desgarrada
da árvore

vaga pelas ruas

agarrada
ao poste
chorou


folha triste

fria

achou que sabia

viver fora da árvore

solitária e aflita
ficou


sozinha
a perambular

vem o sol

vem a chuva

e a folha
a vagar


pobre folha

longe de casa está

as ruas são seu destino


pobre folha

sozinha ficará

talvez encontre abrigo

sob os pés descalços do menino


Úrsula Avner



* poema com registro de autoria

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

* bonito jardim *

Naquele bonito jardim
tudo era flor
rosa
lírio
jasmim

borboletas
alvoroçadas
bailavam

colorida e alegre
mandala
formavam

Naquele bonito jardim
cores intensas
azul
violeta
carmim

pássaros jorgeavam
um canto angelical
brisa suave entornava
seu odor matinal

Aquele bonito jardim
ficou na lembrança
num tempo longínquo
no coração da criança


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

* Marisol na janela *



sol despontou
no horizonte
abriu os braços
contente
girassol ficou
sorridente

Marisol acordou
abriu a janela
queria ver
uma estrela
cadente

não era noite
era dia
a menina
tão somente
queria
ver a estrela que cai

a mãe então sorriu -
dia vem noite vai
estrela do dia
estrela da noite

Marisol logo entendeu
que o sol é uma estrela
grande quente bela
somente não compreendeu
porque o sol não cai
na sua janela

Úrsula Avner

* imagem do google
* poema com registro de autoria